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quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

O espirro invertido

Há umas noites atrás, o Cão acordou-me de forma abrupta. Começou a fazer um barulho tipo um ronco compulsivo e aflitivo. Como é óbvio fiquei assustada, mas já sabia o que é que se passava porque numa ida de rotina à veterinária, ele já tinha feito isso e nesse dia perguntei logo o que é que se passava, dado que ele de vez em quando fazia aqueles roncos.

Ora bem, nada mais era do que um espirro. Mas um espirro invertido, pelos vistos usual em raças como bulldogs, boxers e outros cães de palato mole mais alongado.
No caso do Cão, isto acontece esporadicamente mas quando acontece parece que está com sérias dificuldades respiratórias e que vai morrer em poucos minutos!
A veterinária explicou que os sons que os cães emitem no espirro invertido é muito semelhante a um colapso da traqueia mas é de facto algo muito simples: enquanto num espirro normal o ar sai violentamente pelo nariz, no espirro invertido o ar é inalado para dentro de forma violenta, sendo um acontecimento normal que não requer qualquer tipo de tratamento.
Uma forma de aliviar o bicho é massajar a garganta do cão ou a cana do nariz para parar o espasmo, mas se a causa for alérgica e ocorra com muita frequência, o melhor será dar medicação adequada com prescrição do veterinário.

Talvez tenha de meter uma manta extra na cama, para sua excelência não se resfriar como eu, que desde o Natal que ando fanhosa e, depois de 4 idas ao médico e mais outra já marcada, estou com uma gripe oficialmente diagnosticada que me está a dar mais que fazer...
Mas também com o frio que tem estado uma mantinha a mais não faz mal nenhum!



quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Saúde Animal 24

O final de 2016 trouxe-me uma boa notícia: a criação da primeira linha telefónica de assistência em saúde veterinária, a “Saúde Animal 24”. O que quer dizer que agora quando o Cão tiver algum problema de saúde, esta linha pode ajudar a despistar situações médicas que podem ser resolvidas em casa, sem uma deslocação ao veterinário.

Podemos informar-nos por exemplo acerca das vacinas obrigatórias, viagens, intoxicações, nutrição, e até comportamento, sendo que o principal objectivo desta linha é ajudar a resolver dúvidas do quotidiano que muitas vezes surgem fora de horas ou que não se enquadram no propósito das consultas veterinárias, englobando quase todas as espécies de animais domésticos: cães, gatos, cavalos, hamsters, porquinhos de índia, periquitos, catatuas, répteis, etc.

É mais seguro ligar para esta linha do que ficarmos pela informação muitas vezes turva que a Internet nos dá, porque do outro lado da linha poderemos contar com profissionais que podem encaminhar os clientes para uma clínica ou hospital veterinário da sua freguesia de residência. Através de um telefonema, os médicos podem explicar a gravidade e complexidade de uma problema que por vezes pode passar despercebido aos donos, alertar para os principais cuidados de saúde e incentivar uma visita ao veterinário sempre que considerem necessário.

O que também me deixa feliz é o facto de esta linha ser uma mais valia para as populações isoladas que não têm um consultório por perto, permitindo-lhes o acesso a médicos veterinários. Alguns dados estatísticos preocupantes dizem-nos que cerca de 70% dos gatos e entre 30 e 40% dos cães nunca foram vistos por um veterinário.

A Saúde Animal 24 está disponível 24 horas por dia através do número 760 450 911, tendo um custo de 0,60€ + IVA, independentemente da sua duração. Quando se liga para o número da linha de saúde animal, uma mensagem de voz pede que a chamada seja desligada, uma vez que o serviço ligará de volta, fazendo com que a chamada não tenha restrições de duração ou custos acrescidos.





terça-feira, 4 de outubro de 2016

Dia Mundial do Animal

Hoje celebra-se por todo o mundo o Dia do Animal.
Para mim, este dia é como o Natal: é quando o homem quiser.
O bem estar dos animais só depende dos humanos. De tratar, cuidar e amar dos que escolhemos para partilhar a nossa casa e respeitar e preservar os que estão na natureza.
Escolho este dia para me lembrar ainda mais sobre as condições miseráveis em que muitos animais vivem, sem nunca terem tido um brinquedo, ou um carinho sequer.
Esses eu gostava de os levar todos para casa. Nessa impossibilidade este ano decidi oferecer uma saca de ração a uma instituição. É uma gota no oceano, eu sei, mas é o que me é permitido economicamente falando. E era tão bom que mais pessoas fizessem o mesmo, e não por ser apenas este dia mas porque os animais precisam. Sinto que é o mínimo que posso fazer.
E isto não é nada de novo, ao que parece este dia foi escolhido durante uma convenção de ecologistas em Florença, corria o ano de 1931, com o principal objectivo de sensibilizar a população para a necessidade de preservar e proteger todas as espécies, lutando principalmente contra o abandono e extinção das espécies. É o dia de S. Francisco de Assis - o santo padroeiro de todos os animais e do meio ambiente.
É também o Dia do Veterinário.
Por todo o mundo este dia é assinalado com programas alusivos ao tema e campanhas de adopção responsável por parte de várias instituições e algumas autarquias, sendo que ainda por iniciativa destas últimas, é possível administrar gratuitamente vacinas antirrábicas, desparasitação e microchips aos novos amigos.
Tudo boas razões para ter um fiel amigo!

Imagem: www.google.pt


quinta-feira, 29 de setembro de 2016

O Seguro morreu de velho

Mais vale prevenir que remediar, e não contribuir para aquele outro provérbio "depois de casa arrombada, trancas à porta".
Depois de um ano em constante aflição (porque isto de ter um beagle é obra) decidi fazer-lhe um seguro.
Após várias fugas em plena via pública comecei a achar que qualquer dia o Cão me havia de meter numa carga de trabalhos, e sempre que saía à rua com ele preocupava-me a hipótese de se escapulir e pelo caminho deixar um rasto de destruição, provocar um acidente ou vários choques em cadeia, com carros empenados a deitar fumo enfiados dentro de montras de lojas e bocas de incêndio a jorrar água, com vários polícias a tentar deter o cão marginal e a imprestável da dona, com várias ambulâncias a recolher os vários feridos espalhados pelo chão...
Todo um cenário de horror hollywoodesco, onde na minha cabeça só entoava: "Nem dinheiro tens para pagar uma lâmpada de jardim e agora onde vais buscar o dinheiro para pagar esses estragos todos??"

De notar que uma vez fui passear o Cão para a beira do rio perto da nossa casa (único lugar onde lhe tirava a trela para ele poder correr no areal), e o esperto  lembrou-se de alargar horizontes. Fugiu tanto que fiquei com os bofes de fora por correr tanto atrás dele... Quanto mais chamava mais ele fugia. Outra vez, era ele mais pequeno e tinha um peitoral daqueles que se enfia nas patas e se prende nas costas (que parece umas cuecas invertidas), ferrou as patas por forma a despir o peitoral e lá foi ele espalhar magia pelo jardim municipal quase a ir para a estrada principal e mais movimentada, em plena hora de ponta.

Aproveitei a onda de ter de ir falar com o segurador e fiz algumas perguntas acerca de seguros para animais de estimação. Decidi na hora quando ele me contou um caso que ele estava a acompanhar e que tinha acontecido uns tempos antes: um cão tinha feito cair um senhor de idade na via pública. O senhor teve de ir para o hospital onde ficou internado uns tempos e quando voltou para casa teve de ir fazer várias sessões de fisioterapia.

O seguro cobriu tudo. E é apenas um seguro de responsabilidade civil. Parece que azares destes só acontecem aos outros, mas não. Isto aconteceu ali, no passeio onde levo o Cão quase todos os dias. Um senhor de idade ficou todo descadeirado por causa de um cão tresloucado que estava a passear na rua.

Como o meu também é tresloucado, optei apenas por um seguro de responsabilidade civil, que não inclui despesas médicas por só existirem duas clínicas onde vivemos e nenhuma delas tem protocolo com seguradoras.

Esse tipo de seguros com opção médica valem a pena para quem vive num grande centro urbano com um maior leque de parceiros como o caso do "Pétis" do Millenium BCP, o Seguros Continente da Mapfre, o Liberty Pet da Liberty Seguros, entre tantos outros à disposição no mercado. É só procurar e escolher o mais adequado.
De notar que para os cães considerados de raça perigosa, estes seguros são obrigatórios.

O meu é da Fidelidade, "Responsabilidade Civil - Animais de Companhia" com o capital segurado de 50.000€ por sinistro e anuidade, e franquia por sinistro de 10% dos danos (mínimo de danos materiais de 50,00€). Para que o seguro possa ser accionado, o animal tem obrigatoriamente de ter o boletim de vacinas com plano de vacinação actualizado, o microchip, e a licença de detenção.
A apólice custou 5,00€, mas o prémio anual é de 27,50€.

Por 2,30€/mês ando um bocadinho mais descansada pela rua.
Mas na verdade espero nunca vir a precisar do seguro para nada, será um bom sinal.




quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Microchip

Muitos são os cães que ainda não têm o Microchip. E eu conheço tantos casos. Porque é caro, e não é um bem essencial. Mas quanto é que dariam para recuperar o vosso cão perdido? Vale a pena pensar nisso.
Mas muitos também o têm por ser obrigatório, mas não sabem exactamente como funciona ou como tirar o melhor partido deste dispositivo...


O Microchip é a identificação electrónica que permite fazer a ligação legal entre o animal e o seu dono, através de uma base de dados (SIRA - Sistema de Identificação e Recuperação Animal) onde estão neste momento inscritos mais de 1 milhão de animais em Portugal. Esta identificação pode ser aplicada a qualquer tipo de animal, sempre por um médico veterinário, sendo que apenas é obrigatória para canídeos nascidos depois de Julho de 2008, após completarem os 3 meses de idade. O objectivo do SIRA é a recuperação animal em caso de perda.

O Microchip é uma pequena cápsula electrónica do tamanho de um bago de arroz, que é aplicado sob a pele e "indolor", com um código de barras individual, único e permanente, detectável através de um aparelho próprio de leitura que permite através da base de dados apurar a identificação do animal e do seu dono, permitindo e facilitando a recuperação do animal em caso de perda ou furto.

Os dados devem estar sempre actualizados, caso haja alteração de morada ou de contactos.

Contrariamente ao que se possa pensar, os Microchips  não são uma forma de geolocalização, ou seja, o veterinário não tem um monitor lá na clínica tipo do "Google Earth", onde mete o número do chip e aparece o sítio exacto onde o animal está no momento! Era bom que assim fosse, mas infelizmente os Microchips não estão ligados a nenhuma bateria com autonomia para estar em constante emissão de sinal. Esperemos que num futuro próximo seja possível.

Para sabermos se está tudo bem com a identificação do nosso animal, nós próprios podemos inserir o número no site do SIRA. Caso haja algum desvio, basta apenas dirigirmo-nos ao veterinário e confirmar.

Tanto para animais perdidos como para animais encontrados, o SIRA dispõe de formulários para preencher, que vão depois permitir o cruzamento de dados e a recuperação dos desaparecidos aos respectivos donos.

Também é possível fazer a cedência do animal, ou seja, alterar a "propriedade" de um dono para outro, através de uma "declaração de cedência" que o dono actual deve preencher e entregar no médico veterinário para este último analisar, validar e abrir o processo de cedência.

Felizmente o SIRA faz parte do Europetnet, uma organização sem fins lucrativos, que junta várias bases de dados de outros países da União Europeia num único Website, permitindo o resgate do animal em caso de se perder durante uma viagem a outro país.


Em caso de falecimento do animal o dono deve dirigir-se ao médico veterinário na intenção de dar baixa da sua identificação, bem como à Junta de Freguesia em caso do animal estar licenciado.

Este último licenciamento é também obrigatório.


O meu Cão está "chipado" desde os 3,5 meses.  O ideal teria sido levar o Microchip no mesmo dia da vacina da raiva só quando completasse os 6 meses, mas na altura por aconselhamento da veterinária, optei por colocar mais cedo para que o pudesse levar de férias comigo para terras algarvias.

O "indolor" valeu uma grande guinchadela ao Cão. Pelos vistos aquilo dói...

O Microchip custou 15,00€ em 2015, mas sei que à data o preço ainda se mantém na clínica onde vamos. Nas consultas de rotina a veterinária costuma testar o chip com o leitor para ver se está tudo bem.

A licença na Junta de Freguesia custou 6,25€ por ser o primeiro registo, e tem de ser renovada anualmente por 5,00€, correndo o risco de multa se não o fizer. Este licenciamento só pode ser feito no fim do cão ter o Microchip (aliás, uma das folhas do registo do SIRA é para ficar arquivada na Junta de Freguesia), e também tem de ter a vacina da raiva (doença curiosamente já erradicada no nosso país).
O valor do licenciamento pode divergir por localidade.








sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Alimentos Proibidos na Alimentação Canina

Quando o cão chegou aos 9 meses, e depois de um episódio de colite, comecei a dar comida caseira.
Nunca me tinha apercebido que existem certos alimentos aos quais os cães são totalmente intolerantes.
Toda a vida tinha visto os meus pais darem os restos de comida aos cães que tínhamos, e isso para mim não tinha mal nenhum, a cadela de estimação dos meus pais chegou aos 19 anos de idade, e obviamente que morreu de velhice, já com a pelagem toda branquinha e sem dentes.

Para mim os cães só não suportavam uma coisa: feijões. A selecção que eles faziam na taça da comida, era tão pormenorizada que lambiam tudo, mas só deixavam os feijões. Seria porque eles lá no fundo sabiam que aquilo lhes faria gazes? Não gostavam do sabor? Da textura? Nunca soube bem porquê, nem consegui ainda descobrir, apenas parece que eles instintivamente sabem que aquilo lhes faz mal, embora não conste de nenhuma lista das que eu encontrei!

Mas nem para todos os alimentos esta faceta instintiva funciona. E é aí que os donos responsáveis entram em cena.
A minha forma de raciocínio é a seguinte: se os cães derivam dos lobos nos primórdios dos tempos, devemos dar-lhes uma alimentação aproximada com a que os lobos tinham e ainda têm à sua disposição na natureza, evitando o máximo de alimentos processados.


Na lista de alimentos proibidos que eu sigo estão:



  • Alho - se for 1/4 de alho/dia até faz bem mas torna-se tóxico se for em maior quantidade.
  • Cebola - provoca anemia
  • Abacate - tem um derivado de ácido gordo muito tóxico. E para quê dar isto ao cão??
  • Chocolate e derivados de cacau - não é digerível pelo fígado dos cães e pode mesmo ser letal
  • Chá preto e Café - a cafeína pode provocar arritmias e até ataques cardíacos
  • Bebidas alcoólicas e refrigerantes - não é preciso explicar pois não?
  • Açúcar - provoca cáries, diabetes, obesidade e torna o palato mais selectivo
  • Ossos - nem cozidos nem crus. Ao roer lascam-se pontas bicudas que podem furar os órgãos
  • Nozes - interferem com o sistema nervoso central levando à perda do equilíbrio
  • Pêssegos/Ameixas/Alperces - não a fruta, mas sim os caroços são altamente tóxicos
  • Uvas ou passas de uva - provocam falência renal
  • Peixe cru - contêm parasitas que só são eliminados com a cozedura ou congelamento
  • Soja e milho - provoca alergias
  • Batata branca comum - o amído causa desarranjos gastrointestinais
  • Massas cruas de pão ou bolos - o fermento transforma-se em açúcar que por sua vez se transforma em álcool
  • Sementes de linhaça - provocam intoxicação alimentar, mas o óleo de linhaça é tolerável
  • Pimenta - provoca gastrites e até úlceras
  • Sementes de maçã ou de pêra - libertam ácido cianídrico no estômago, mortal para os cães
  • Trigo - ponto crítico! Muitos animais são intolerantes ao glúten e a quase todos os cereais. Este eu tento evitar, por ver que no meu caso o cão fica com desconforto abdominal. Aqui entram produtos como as farinhas brancas de trigo, as massas, o pão, bolachinhas e afins...
  • Arroz branco - é mais calórico e tem açucares mais rapidamente absorvidos pelo organismo, provocados pelo processo de branqueamento a que é sujeito. Sem dúvida que prefiro o arroz integral, pela fibra e pela capacidade de saciar por mais tempo.
  • Leite - tal como alguns humanos, a lactose é intolerada pelo sistema digestivo dos cães provocando vómitos e diarreia, levando à falência do sistema imunitário.

Para me ajudar, uso esta cábula que tenho na porta do frigorífico e à qual recorro sempre que tenho dúvidas:

Por último, apenas relembrar que não devemos dar os nossos medicamentos a animais, a menos que sejam receitados por veterinários.
Também no caso das plantas, algumas são altamente tóxicas para os animais e muitas delas temo-las em casa e nem fazemos ideia.
Mais um assunto a aprofundar futuramente!



quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Olá Setembro

Começar Setembro da melhor maneira é acordar sete vezes durante a noite com o cão a vomitar uma espuma, pela terceira noite consecutiva. A novidade é que esta manhã estava triste, com dores e sem apetite. Só a pedir mimos sem brincar, o que não é muito normal...
Nos outros dias não dei grande importância porque de manhã ele estava sempre bem disposto e comia tudo. À noite brincou e fez os disparates normais. Hoje foi diferente.
Tive de ligar para o trabalho a dizer que ia chegar atrasada e fui a correr para a porta da clínica à espera que abrisse. Muitas apalpadelas e uma radiografia depois, a veterinária viu que ele tem o duodeno e os intestinos inflamados. Antibiótico e analgésicos injectáveis... E logo temos de lá voltar para dar a medicação.

O que é que aquele sacana terá andado a comer que eu não vi?!

Mistério... Era bom que ele falasse... Mas mesmo que falasse ia mentir-me de certeza...



quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Ração VS Comida Caseira

Este é um assunto um bocado controverso, onde as opiniões divergem.
Quando o cão entrou na minha vida decidi que apenas lhe daria ração seca porque a composição das rações supostamente satisfazem todas as suas necessidades nutricionais.
Para isso tinha de optar por uma ração de qualidade que me assegurasse que nada lhe faltaria.
Apesar de ter tido todo um cuidado na escolha da dita, comecei logo a perceber que a ração não era suficiente, pelos sinais que ia tendo (coprofagia, queda de pêlo, colite, e o típico "cheira e deixa").
Depois de tanto tentar perceber os rótulos de diferentes rações, cheguei à conclusão que não consigo entender nada do que lá está escrito. Percebi apenas que a maior parte tem uma percentagem muito pequena de proteína e muito elevada de cereais e óleos que não consigo identificar, sem falar nos corantes e nos conservantes.
Ora bem, sempre me foi dito que devo evitar tudo o que tem corantes e conservantes, e se isso se aplica aos humanos porque não aplicar também aos nossos animais? Eles não sabem ler rótulos e simplesmente confiam em nós quando lhes metemos a comida na gamela.
Quando o cão teve uma colite, descobri a sensibilidade dele a determinados compostos presentes em algumas rações. Nesse momento a escolha por uma ração de qualidade ao alcance do meu bolso, tornou-se muito limitada.
Por mais boa vontade que tivesse, era impensável pagar 80,00€ por uma saca de ração de 12Kg.
Por indicação da veterinária e por forma a que o sistema digestivo do cão entrasse nos caixilhos, comecei a fazer comida para o cão. Comecei com caldinhos de arroz, cenoura e peito de frango.
Simples. A colite passou. Gradualmente voltei à ração. Voltou o "cheira e deixa" e o "come tu a ver se gostas". Fiz contas. Pesquisei sobre o assunto. Fiz mais contas. Resisti a essa trabalheira que seria andar a fazer comida de propósito para o cão.
Experimentei.
Não achei lá muito prático para mim de perder a comodidade da ração para passar a ter a preocupação de encostar a barriga ao fogão para fazer comida de cão...
Mas felizmente cedi.
Fiquei ainda com mais certeza quando a veterinária me felicitou pela decisão.
Agora é uma rotina como outra qualquer. O Cão está cheio de saúde e não se queixa. 
Um importante e breve estudo sobre os alimentos e respectivas toxicidades, e agora faço-lhe comida duas vezes por semana. Vou alternando proteínas e vegetais, tentando proporcionar-lhe a maior diversidade possível de nutrientes e sabores.

Mas calma! Também não sou perfeita e nem vou em exageros, nem radicalismos! Em situações SOS, quando não consigo fazer a comida dele e já não há mais no frigorífico, dou ração seca misturada com ração húmida e a vida continua...

Ele não me mostra o middle finger por isso...




Imagem: http://tendenciasnaturebas.com.br/

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Coprofagia

A Coprofagia é o acto do animal - seja cão, gato ou outro tipo - comer as próprias fezes ou pior ainda, comer as dos outros.
É um nojo, sem dúvida alguma. É chocante. Como dona de um cachorrinho tão lindo e fofo aos meus olhos, fiquei horrorizada quando o vi a fazer esse lindo trabalho. Comecei a limpar-lhe a boca com papel higiénico húmido sempre que dava por isso. Ralhei muito, dei-lhe uns enxota moscas. Mas é uma realidade e há que aprender a viver com isso para termos o discernimento de perceber que se isso acontece é porque alguma coisa não está bem e tentar corrigir.
Acredito que muitos são os donos que se debatem com este problema, mas primeiro estranha-se e depois entranha-se.
Este assunto também me valeu uma ida ao veterinário.
Fiquei a saber que a coprofagia pode estar relacionada com vários factores, sendo que a principal pode estar directamente ligada a carências nutricionais. Segundo a veterinária, este não deveria ser o caso do cão, porque comia uma ração de qualidade superior, não tinha motivos para procurar nutrientes em mais lado nenhum. Pensei que podia ser por não lhe dar a quantidade suficiente, e ele com fome via-se obrigado a comer o próprio cocó. Nada disso. O peso dele estava a aumentar de forma correcta em relação ao crescimento.
Então o que é que podia ser? O que é que levava o meu cão a comer os próprios croquetes?
A limpeza. Isso mesmo, a limpeza! Com um pouco de psicologia canina, consegui perceber que o cão comia as fezes para as esconder e manter o espaço dele limpo.
Quando o tentava ensinar a ir à rua fazer as suas necessidades, repreendia-o quando as fazia no quintal.
Ora bem, pensa o animal: "para não ouvir ralhar e como não tenho bolsos, só me resta esconder estas coisas na barriga". Pensando bem, resulta quase como uma reciclagem. Ele comia a mesma ração mais do que uma vez.
Começou quando o cão era muito pequeno, por volta dos 4 ou 5 meses. Hoje com 16 meses continua a fazê-lo, mas com menos regularidade e apenas quando faz no quintal. Na rua não tem qualquer interesse.
A veterinária chegou a sugerir um xarope como último recurso, que segundo ela é agradável quando os cães comem, mas intragável quando digerido e expelido, tirando aos animais a vontade de continuar com esse hábito.
Antes de experimentar esse produto, e como faço em todos, decidi pesquisar primeiro, e descobri que existiam algumas contra-indicações graves e situações de animais levados à morte por ingestão desse suplemento.
Simples: prefiro que ele seja um badalhoco que come cacas, do que o sujeitar a produtos que lhe podem fazer mal.
Acredito que um dia deixará completamente de o fazer. Até lá, gosto dele à mesma!


quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Dia de Veterinário

Hoje foi dia de ir à consulta de rotina com o cão.
Chego à conclusão que é quase como ir meter o carro na oficina para mudar óleo e filtros, e quando nos mostram a conta o carro levou tudo e mais alguma coisa, inclusivé umas chapas novas de matrícula (que foi o que me aconteceu a semana passada).
Ir com o cão à consulta de rotina foi igual. O que seria apenas uma ida para reforçar vacinas, mostrou-se ser uma autêntica lição de dermatites, dermatoses, e alergias ao meio ambiente ou alimentares.
Que o cão é fino já eu sabia, mas ainda lhe vou ter de explicar melhor que a dona não é rica, e sai todos os dias de casa para ir ganhar tostões para a comida e não para contas de oficinas e veterinário...
Resumindo: estamos numa de despiste de alergias dermatológicas. O cão tem uma pequena ferida por baixo de uma orelha e vamos tentar tratar com betadine diluido em água e bacitracina.
Vamos também fazer o xarope Leishguard para prevenir a leishmaniose e para o que mais me preocupa neste momento, vamos fazer um suplemento alimentar rico em ácidos gordos para combater a queda de pêlo que se vem a prolongar desde Março.
Todos os dias varro o chão e tiro uma pá do lixo cheia de pêlos... Parece que o cão está prestes a ficar todo despenado.
Portanto vamos dar a reforma à escova de silicone que temos usado até agora, e vamos abrir os cordões à bolsa e comprar um pente metálico aconselhado pela veterinária.
A realidade da coisa é que o bicho é extremamente sensível, apesar de, felizmente ser super saudável.
A colite revelou sensibilidade digestiva e agora a queda de pêlo e a ferida misturada com coceira atiçou a desconfiança de sensibilidade cutânea.
E não, não são pulgas nem carraças porque sua majestade tomou o Bravecto. Um comprimido de 27,50€ que foi servido numa bandeja de prata sob cama de rúcula, guarnecido com caviar... Não foi, mas pelo preço podia ter sido.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Comida de Cão

No início do ano, o meu cãopanheiro ficou muito doente. E eu desesperada por vê-lo assim.


Um dia, cheguei a casa depois de um dia de trabalho, e em vez de um cão feliz e saltitão por me ver, tinha um cão que estava pela primeira vez apático.

O quintal estava cheio de sangue pelo chão e os aposentos reais do dito cujo estavam todos vomitados. Um cenário dos infernos...

Sem pensar muito, enfiei-o dentro do carro e fomos imediatamente para a clínica veterinária.

Diagnóstico: Colite

No relatório da clínica: "o cão passou o fim-de-semana na casa dos avós, onde ingeriu o que não devia".

Ora bem, eu não sou mãe, mas sempre ouvi dizer que os pais educam e os avós deseducam... Foi na casa da avó que o cão ficou a saber que afinal pão é bom, mas se for com  manteiga, queijo ou linguiça é ainda melhor! Descobriu também que aquelas coisas redondas nos pacotes plásticos que fazem barulho se chamam afinal "bolachinha maria". De tal maneira que vira a cabeça à exorcista cada vez que ouve um pacote de bolachas, a quilómetros de distância. E já nem falando do resto, que até já o apanhei a degustar tiririca de galinha. Enfim...

Muitas radiografias, quatro dias seguidos a ir à clínica fazer exames e levar injecções com antibióticos e analgésicos, e a possibilidade de fazer uma endoscopia, ou ainda de ser operado.

Felizmente não foi necessário fazer muito mais, ele estabilizou e voltou ao normal.
A veterinária questionou se eu tinha alterado a ração dele, e respondi que sim, misturava na altura ração da Royal Canin (que mandava vir online), com uma ração de supermercado de marca até bem conhecida, mas de fraca qualidade pelo que vim a comprovar.
Mas aprendi uma lição: não vale a pena tentar comprar ração mais barata, ou de qualidade inferior porque acabamos por gastar o triplo em veterinário.
Informei-me com a veterinária, e percebi que se mantivesse disciplina e algum rigor na alimentação dele, era possível proporcionar-lhe uma vida mais saudável e ainda poupar algum dinheiro.
Nessa altura decidi levar a questão da comida caseira para o cão mais a sério.
Foi necessária alguma pesquisa sobre o tema para decidir que alimentos seriam os escolhidos para introduzir na dieta dele, uma vez que existe uma vasta lista de alimentos proibidos.
No andar da carruagem vou partilhar algumas das receitas que faço!


Imagem: https://pt.pinterest.com