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sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Sou uma sortuda

Que nunca me digam que um cão só dá é trabalho e que não dá lucro nenhum, só despesa!
É verdade a parte da despesa, mas uma pessoa consciente quando decide ter um cão já deve estar preparada para isso. É exactamente igual a um filho: é preciso cuidar, tratar, limpar, educar, passear, brincar. Faz tudo parte da responsabilidade de termos alguém ao nosso cuidado, mas também tirar partido e prazer disso.
Que atire a primeira pedra quem nunca teve vontade de atirar um filho pela janela. Em momentos de pura raiva, em que vejo uns sapatos novos todos roídos ou peças de roupa que mais gosto tudo rasgado pelo chão, penso em lhe abrir a porta da rua e deixá-lo ir à sua vidinha, morar debaixo da ponte para finalmente dar valor ao que tem! Óbvio que nunca faria isso. Assumo a decisão que tomei de ter um Cão. Arrependo-me às vezes por ter escolhido um Beagle, é uma raça que não é para qualquer dono. Quem tem um Beagle sabe do que falo. Mas agora é para ser até ao fim da vida, da minha ou da dele.
É indiscutível a ajuda que este Cão me tem dado, tem mostrado mais amor por mim do que qualquer amigo que tive até hoje. Tem sido o meu maior apoio e isto nunca se esquece, nem se deixa ficar para trás em circunstância alguma.
Neste Outono a coisa não tem andado fácil, sinto-me um bocadinho mais em baixo e a vontade de continuar a minha jornada não é a mesma. Ás vezes a coisa vacila. Mas o Cão está lá sempre para me fazer companhia e lembrar o que é amor e amizade de verdade. Afinal até sou uma sortuda.




quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Canídeoterapia

A vida por vezes troca-nos as voltas, e o que achávamos que tínhamos por certo é-nos tirado sem sabermos bem como. Cada vez mais acredito que se uma coisa má nos acontece é porque uma muito melhor está para vir.
Apesar de tudo o que me tem acontecido nos últimos meses, tenho tentado agarrar-me às coisas boas e às oportunidades que a vida me tem dado. Uma delas foi o cão.
Como é possível um animal nos manter agarrados à responsabilidade da vida?
Por ele, eu tinha de me levantar todos os dias e dar-lhe comida e água fresca, dar longos passeios pela rua, quando o que mais me apetecia era simplesmente me atirar para o sofá com toda a minha melancolia.
Mas ele não deixava. Agora acredito que os animais percebem as nossas emoções.
Ele deitava-se ao meu colo a confortar-me quando eu estava a chorar. Lambia-me as lágrimas, como quem diz "eu estou aqui para ti".
Ele tornou-se na minha prioridade, quando muitas pessoas me diziam que devia de o dar, ou levá-lo para outro sítio porque o cão era uma prisão para mim.
Nunca suportei que me dissessem isso. As pessoas conseguem chocar-nos.
Só quem sente o amor de um cão sabe que é incondicional, puro e verdadeiro. Eu nunca o abandonaria, por pior que fosse a minha situação. Ele faz parte de mim.
Vou sempre lembrar-me que foi graças ao cão que me mantive mentalmente sã, por se pôr a ganir à porta e me ter obrigado a sair de casa quando só queria estar de janelas fechadas sem ver ninguém. A meter-se com toda a gente na rua sempre bem disposto, a fazer com que falassem para mim e eu a ter de responder quando não me apetecia falar.
Sei que ele também sofreu com as mudanças nas nossas vidas, mas ficámos mais próximos, mais "apaixonados" um pelo outro.
Eu sempre soube que ao ter um cão ele dependeria sempre de alguém para tratar dele.
O que eu não sabia é que um dia seria eu a depender dele para tratar de mim!
E sem dúvida que o cão é o melhor amigo do homem. Neste caso da rapariga!